Hitomi « Penny » Tohyama, a cantora de city-pop mais subestimada?
Já falamos de alguns nomes mais ou menos conhecidos pelos fãs de city-pop: Yamashita Tatsuro, ANRI, Ohashi Junko, Omega Tribe… Hoje, vamos apresentar uma artista menos conhecida, com músicas bem diversas, e uma discografia que recomendamos vocês ouvirem!
Hitomi “Penny” Tohyama (当山 ひとみ)
Nascida em 28 de dezembro em Okinawa, Tohyama Hitomi ( 当山 ひとみ ) passou seus anos de colégio em Okinawa até o segundo ano, mudando depois para a Oakland High School nos Estados Unidos até o fim do ensino médio.
Embora sua mãe seja de Okinawa, seu pai, sua irmã e seus amigos falavam todos inglês ao seu redor. Por isso, ela não dominava bem o japonês em seus primeiros tempos e não pensava em cantar nesse idioma.
Ela nunca havia pensado em se tornar cantora, era sua irmã quem se apresentava no palco. Um dia, ao assistir a um show da irmã em um clube de música, Hitomi foi incentivada pelo público a subir ao palco. Hesitante, ela interpretou o famoso standard de Jazz Sunny, conquistando imediatamente a plateia. Aos 18 anos, ela entrou para a banda da irmã, cantando uma música por show (Michael Jackson – “Ben”). Depois, ela integrou um coral (“Street Girl” e depois “Joy”) que retomava peças famosas. Mais tarde, esse grupo se fundiu com outro conjunto de músicos.

Um produtor tentou recrutar por dois anos Hitomi Tohyama para uma carreira solo. Ela hesitou, com medo de cantar em japonês (até então, fazia covers em inglês). Finalmente, ela aceitou. Foi a música “My Guy” que foi enviada como Demo, apreciada pela gravadora Columbia (Columbia Japan, não confundir com Columbia Records).

Good Song (SO MANY TIMES) (Single – 1981)
No entanto, o produtor Kanmatsu Mitsuoshi a aconselhou: «Você pode sempre cantar em inglês, mas se vai cantar no Japão, comece cantando em japonês.» Ela estreou em 1981 com « ドア越しの Good Song » pela Japan Columbia, com letras em japonês escritas por Kanmatsu (sob o pseudônimo de Hikaru Kuraichi).

Just Call Me Penny (1981)
O álbum seguinte soa realmente J-pop, embora algumas músicas tenham um lado mais Groove/Jazz como Rainy Driver’s, Midnight Express ou San Francisco Oakland. Um álbum bem variado, muito bem produzido, e um excelente domínio vocal de Hitomi Tohyama, que se revela realmente uma grande cantora.
Além dos músicos com quem ela já tocava, outros músicos de sessão foram adicionados. Destaque para Will Lee, que trabalhou com Tatsuro Yamashita, Mariah Carey, George Benson, B. B. King, Cat Stevens, Ringo Starr, Cyndi Lauper, James Brown, Cher, Billy Joel, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Diana Ross… Jake Concepcion, apelidado de “Rei do Sax”, que trabalhou com ANRI, Miki Matsubara, Meiko Nakahara, Toshiki Kadomatsu, Masayoshi Takanaka, Seiko Matsuda, Kingo Hamada, Yoshino Fujimal, Casiopea, Taeko Ohnuki, Kengo Kurozumi, Bread And Butters, Shogun…

Heart Full Of L. A. Mind (1982)
Um bom álbum que dá continuidade, sempre com um lado J-pop acompanhado de um ritmo groovy.

A lista de músicos que contribuíram para o álbum é impressionante. Em especial, a presença de Makoto Matsushita (Leia aqui) e de Yoshino Fujimaru (Leia aqui), que juntos formaram o AB’s, sobre quem já falamos em posts anteriores.

O excelente “Next Door” (1983)
Antes de apresentarmos este álbum, saibam que na verdade ele deveria se chamar “Girl Next Door”, mas o título foi encurtado para Next Door.
Neste álbum, a virada para o funk e o jazz começa! Podemos finalmente falar de verdade em City-Pop! EXOTIC YOKOGAO nos traz uma entrada bem disco nos anos 80, assim como Love Is The Competition.
A faixa-título do álbum é TEARDROPS ROMANCE, com sonoridades ao mesmo tempo alegres e melancólicas. A emoção da música é muito forte, e dá para dizer que não estamos muito longe de Stay With Me de Matsubara Miki!
O álbum termina com uma linda música, OUR LOVELY DAYS, cantada inteiramente em inglês! Seu domínio da língua de Shakespeare é impecável!

O icônico “Sexy Robot” (1983)
Aqui estamos! Sem dúvida o álbum mais produzido artisticamente. A primeira parte do álbum (o famoso “lado A” dos vinis!) é voltada para o Disco/Funk, enquanto o “lado B” é mais voltado para o pop.
Encontramos de novo Makoto Matsushita na guitarra em algumas músicas:
- Wanna Kiss’s
- Tuxedo Connection
- We Are In The Dark
- CATHY
- Slow Love’s

Há muito o que dizer: Sexy Robot, faixa icônica com seu vocoder, baixo sintetizador e backing vocals; We are in the Dark lembra Noriyo Ikeda e a faixa Dream In The Street. Na real, o mais simples é vocês já ouvirem essa joia!
Pennys Five (1985)
Assim como com ANRI, acontece uma virada mais próxima do estilo de Madonna. O álbum traz Walker, com uma introdução bem disco!

Human Voice (1985)
Um álbum muito bom. Uma das músicas marcantes é “Tsumi” (Pecado, “sin” em inglês), que lembra muito o hit “Dance” de Shogo Hamada. “Tsumi” é composta por Sato Ken, o principal compositor (e marido) de Junko Ohashi (vale lembrar que ele também compôs para Miki Matsubara).

HELLO ME (1986)
Desta vez, temos um álbum bem pop e bem tranquilo.

One Scene (1987)
Um álbum com sonoridades bem trabalhadas. Como a capa do álbum sugere, algumas músicas ficariam ótimas em certos filmes!

Imagination (1988)
Um álbum com um som mais moderno, mas ainda com excelentes linhas de baixo e algumas guitarras funky!

Watch Out (álbum de 1988)
Um álbum com músicas um pouco mais energéticas, incluindo September Rainr (não, não é a música do Matsushita Makoto!) e You Are Ectasy.

After 5:00 Story (1989)
Um álbum muito legal com boas músicas pop, quase jazzy. Recomendamos a música “Where the Boys Are”

Munasawagi (胸さわぎ) (1992)
Na continuidade de AFTER 5:00 Story, um álbum que mistura sonoridades pop e jazz.

Lovers in New York (1993)
Um álbum voltado para o Jazz. A introdução com In New York é simplesmente perfeita, seguida de uma ótima surpresa que deixamos vocês descobrirem! Neste álbum encontramos músicas de Jazz, mas também bastante música popular dos anos 80, até trilhas sonoras de filmes. Uma verdadeira homenagem a uma parte da cultura musical americana!

As coletâneas
Uma palavrinha sobre as coletâneas, para vocês conseguirem encontrá-las.
On The Radio (1982)
Imaginamos que essa coletânea reúne as principais faixas tocadas no rádio japonês. Lançada pouco antes de Next Door (1983), já traz Lovely Days.
- Polaroid (Just Call Me Penny)
- My Guy (Cafe Sign) (Just Call Me Penny)
- Don’t Stop The Music (Heart Full of L. A. Mind)
- Air Mail (Heart Full of L. A. Mind)
- Midnight Express (Just Call Me Penny)
- SFO-Oakland (Just Call Me Penny)
- Our Lovely Days (Next Door)
- So Many Times (Just Call Me Penny)
- Call Me (Heart Full of L. A. Mind)
Galeria das coletâneas:
Entrevista em inglês e shows!
Com a volta por cima do city-pop, a gravadora Columbia lançou o J-DIGS, um projeto com o objetivo de promover (via Youtube/Spotify e redes sociais) artistas japoneses da Columbia. Encontramos aí Sakamoto Ryuichi, Sato Hiroshi e o excelente Kurozumi Kengo.
Encontramos Tohyama Hitomi em uma entrevista no Youtube:
Shows e turnê
Recentemente, Tohyama Hitomi reformou um grupo ao seu redor, com quem faz shows regularmente no jazz Club de Tóquio e do Japão. Eles também fazem turnês na China.
Sucesso na China
Tohyama Hitomi ( 当山瞳 ) na verdade ficou bem famosa na China nos últimos anos, principalmente graças à onda do City Pop e da cultura vaporwave. Sua música icônica “Cathy” (lançada em 1983) fez muito sucesso nas plataformas chinesas como o NetEase Cloud Music, com mais de 600 mil curtidas.

Fontes:
https://kayokyokuplus.blogspot.com/2017/07/keiko-tohyama-my-guy-cafe-sign.html
https://ja.wikipedia.org/wiki/%E5%BD%93%E5%B1%B1%E3%81%B2%E3%81%A8%E3%81%BF
https://jpop.fandom.com/wiki/Tohyama_Hitomi
Link:
Site oficial de Hitomi Penny Tohyama
Fã-clube oficial de Hitomi Penny Tohyama



















